O x de Lloyd Cole

Lloyd-Cole-X

Meu primeiro contato com o álbum de estréia do Lloyd em carreira solo foi uma resenha da Bizz. O texto soava azedo, reflexo da adesão da revista ao turbilhão xoxo do grunge, mas havia um núcleo de admiração. Afinal, como não gostar de Cole, um crooner elegante e criativo, esbanjando bom gosto e belas inflexões nos ensaios fotográficos?

Fui ouvir o disco muito tempo depois, graças ao acervo da Revoltion, no final da Felipe Schmidt, no tempo em que se alugavam discos digitais. Gostei tanto do disco que gravei em uma Sony UX, uma daquelas belezuras de capinha dourada e roxa com miolo grafite que foram o canto do cisne das fitas cassete, pelo menos para mim.

Cole está correto neste primeiro álbum, e quem brilha são as guitarras. Os timbres são deliciosos e límpidos. A produção é cuidadosa sem ser preciosista. Cada microfone parece ter sido estudado ao extremo, mas a execução não transparece, soa leve e fluida.

Neste ambiente de extremo profissionalismo, o inglês escocês canta suas histórias urbanas cheias de alguns personagens que são melancólicos, outros que se perdem em devaneios; há os que não têm salvação lá de dentro do poço em que caíram assim como surgem os que iluminam, por um átimo, as calçadas de uma cidadezinha, pelo menos ao olhar de um garoto de colégio.

Lloyd Cole e seu disco homônimo alcançaram a graça rara da atemporalidade. Talvez os teclados um tanto duvidosos de To The Church traiam esta concepção; a canção ficaria muito melhor com cordas de verdade e um arranjo um pouco mais cuidadoso, é certo, mas esta pequena imperfeição pode ser apreciada se o ouvinte focar na canção que poderia ter sido. Como as cordas generosas da ponte de A Long Way Down, por exemplo.

Este disco também abriga os poucos rocks que Cole gravou. Sweetheart e I Hate To See You Baby Doing That Stuff sobrevivem aos anos de audição por conta de uma certa dissonância com a típica produção de Cole. Ambas se destacam pelos bons e econômicos solos de guitarra, e pela rendição apaixonada do cantor.

Segue um trecho da letra de Loveless, para dar uma idéia do que o homem canta:

You lie in the heat of a summer haze
And turn it into a winter’s tale
You fall back into the english way
Of feeling only guilt ‘cause you feel no pain
So why do you say you love me when you don’t?
And why should I feel blue when I do? Why?

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para O x de Lloyd Cole

  1. marcelo de almeida disse:

    Classudo pra caralho!!

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