O Diabo da Coca

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Jura a Coca-Cola que está te dando 121 calorias, ou valor próximo disto, para te fazer pedalar durante 20 minutos, ou valor próximo disso. Você pode fazer outras coisas com estas calorias mágicas, como levar seu cachorro passear ou dar risadas com os amigos; se você tiver uma franja, menos de quarenta quilos e gostar de hardcore emotivo, é permitido a você abraçar seus amigos.

A Coca-Cola é admirável mesmo. Melhor: os publicitários que a Coca-Cola contrata são admiráveis. Minha imagem mental deste grupo pouco palatável de pessoas foi extraída do filme 99 Francs, ou seja, um bando de babacas mentirosos que adoram aspirar pretensiosamente o pó homônimo ao refrigerante. Ou quase.

Tem dias em que quase me comovo com os desafios destes guapos rapazes. Numa era onde a saúde, ou pelo menos seu sucedâneo lucrativo, é um valor a ser propagado pelas mídias, vender uma porcaria cheia de açúcar, sódio e outras substâncias danosas nas quantias propostas, diabos, é um trabalho hercúleo. É quase como vender cigarro, exceto pelo fato de que você não vai encontrar imagens do Humphrey Bogart tomando refrigerante para se inspirar.

Lembram dos catadores de latinhas, das cooperativas, aquela coisa toda de ajudar as pessoas? Vejamos: A Coca-Cola é parte de um sistema capitalista escroto que concentra o dinheiro nas mãos de poucos enquanto suga o trabalho dos mais pobres. Ah, e gera lixo, muito lixo. Os publicitários martelam seus máqui-búquis, “como reverter isso?”, e saem com uma belíssima campanha onde a Coca-Cola heroicamente salva o mundo que ela mesmo está cagando.

Este tipo de mágica cínica é o que Naomi Klein chama, em seu No Logo, de cooptação de ideologias. Assim como a Nike adquiriu os direitos sobre o conceito de esporte e o transformou nesta monstruosidade corporativa que emanou de Londres em 2012 via satélites para o mundo inteiro, a Coca-Cola vem roubando para si o conceito da diversão com amigos, por exemplo.

E não apenas a Coca-Cola: aqui no Brasil a Antartica cooptou a pizza e a pipoca como meros coadjuvantes de seu guaraná. A Coca-Cola não é a única, em suma, é apenas pior. Ou a mais eficaz neste formato. Agora são os sucos, que “são feitos com o mesmo carinho que a sua avó teria”. Sucos com elevados níveis de açúcares refinados ou adoçantes, embalados em caixinhas que, oh, serão recicladas por aquelas mesmas pessoas que devem ajoelhar e agradecer à Coca-Cola Companhia por terem lixo para catar e enfardar.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para O Diabo da Coca

  1. anonima disse:

    a coca cola é feita de pedacinhos de criança?

  2. humberto disse:

    uau, matou a pau, gilvas!!!

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