Pergunte ao pó

lightbeam

Uma reflexão quase sempre me ocorre enquanto aspiro o pó e os pelos de três gatos distintos que me deixam morar no apartamento deles. Pensei na tenacidade do sujeito que, semana após semana, aspira aqueles mesmos cantos da casa, sem notar grande diferença nos padrões de acumulação dos pelos e das sujeiras menos classificadas. Pensei em quanto o sujeito tem de ter resiliência, e não deixar a maionese desandar.

Até a morte, quando tudo deixa de fazer sentido e, curiosamente, quando fazer sentido deixa de ser uma necessidade.

Houve um dia difente. Me coloquei no lugar do pó, que, semana após semana, se resigna a preencher os mesmos cantos, o mesmo corredor modesto, as mesmas prateleiras onde os livros pouco mudam. Ninguém se importa com o pó, ninguém pensa em suas motivações, provavelmente porque elas não existe. Fante era um fanfarrão: ninguém vai perder seu tempo perguntando ao pó.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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