Céu: Célula 19.04.2013

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Se nada mais tivesse acontecido em toda a vida da Célula, ontem, ou hoje, da meia-noite às três manhã, aquele lugar teria justificado sua existência. Florianópolis recebia a segunda vinda da cantora Céu. A primeira vez foi no Floripa Tem, e eu nem a conhecia.

Céu tem uma presença que inunda o palco. Magra, rosto fino, nariz que poderia servir de referência para cirurgiões plásticos, vestia uma espécie de vestido meio manto, cheio de estampas. Céu é uma encruzilhada belíssima onde se encontram reggae, trip-hop, MPB, indie, Sade Adu e rock do século XXI.

Onde termina Vanessa da Mata, começa Céu. Exemplo claro da minha teoria é a canção que a banda compôs para um evento em Recife, que, segundo a cantora, “eles não conseguem parar de tocar”. A canção é bobinha, mas não te ofende; em vez disso te cativa. Eu já esqueci o refrão, mas quando você está vendo Céu se entregar à interpretação, bom, ele é perfeito.

A banda é peculiar. Uma formação contemporânea, baixo, bateria, guitarras e pick-ups. O guitarrista emula um Calvin passado dos trinta em um emprego chato enquanto empunha sua bela Rickenbaker. A cozinha me remete ao livro de Diehl e Donnelly: o baixista olha assustado para a platéia, enquanto o também competentíssimo batera usa um macacão de potenciais múltiplas aplicações. As bases pre-gravadas não incomodam, mas seria bem interessante ver Céu com uma vocalista de apoio mais um sopro e algumas cordas. Pela platéia de ontem, não deve demorar o dia em que Céu vai tocar no Pedro Ivo.

Difícil é descrever o quanto a apresentação foi apaixonante. Sem palavras. Uma artista no ápice de sua forma, de personalidade marcante e canções cativantes. Um ponto extra pela sensualidade na medida, coreografada de forma cuidadosa, escoando espontânea.

O segundo ainda é o mais amado. Dá para ver as pessoas cantando e pedindo. Bubuia, quase finaleira, era o que mais se ouvia pedirem. Saiu em arranjo bem próximo ao original. A malemolência cool ainda domina as atmosferas de Céu, mas novos caminhos se desenham. Em certos momentos, as guitarras espaçosas remetem a uma releitura atual de Pink Floyd. Em outros, Céu parece querer se render a um esquema mais próximo da MPB atual.

Entretanto, aconteça o que acontecer a seguir, esta apresentação na Célula vai ficar impressa carinhosamente na minha memória.

PS.: A foto eu tirei de uma notícia do UOL. Minha câmera deu PT, e ontem fiquei me roendo por estar, sem equipamento, em um lugar perfeito para fotografar.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Céu: Célula 19.04.2013

  1. marcelo de almeida disse:

    que sofisticaçao hem seu gilvan !! Punk e obrigado !! A Banda e um ceu a parte !!

  2. mafra disse:

    muito bem colocado.

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