Zack Snyder: Homem de Aço

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Christopher Nolan, dize-me com quem filmas, e, oh, é melhor você tomar cuidado. Zack Snyder virou referência de alguma coisa com 300, um dos marcos da fase chauvinista onde Frank Miller se afundou lá por noventa e tantos. Snyder conseguiu transformar Watchmen, o melhor gibi já escrito, em um filme apenas razoável; Alan Moore tem mais um prego em seus pés. É, Nolan, deixar o seu nome tão evidente nos créditos de Homem de Aço pode ser uma fonte de arrependimento nos próximos anos.

Homem de Aço inicia com a missão de recuperar a imagem do escoteiro de Krypton, bem abalada depois que Brian Synger lhe plantou um par de guampas ao redor do pega-rapaz em sua testa. E pensar que Synger saiu da franquia X-Men depois de dirigir o segundo epísódio, o melhor dos heróis mutantes até o momento, deixando Brett Ratner despir a turma do Professor X de qualquer nesga de dignidade.

O começo é legal: cenários grandiosos, tirano golpista chacinando conselheiros pacíficos de Krypton, e uma recauchutagem bem razoável da história que já estamos cansados de conhecer. O toque de sci-fi ficou bem, e eu quase me empolguei; vai que a mágica batimanesca de Nolan pega?

Entretanto, é só Henry Cavill aparecer, e lembrei de Groucho Marx quando o célebre humorista fala sobre o pouco interesse que lhe inspiravam filmes onde os peitos do mocinho eram maiores do que os da mocinha. Cavill aderiu à escola hiperbólica que apetece a Snyder, o menino está tão estufado que dá medo de haver um alfinete no set de filmagem a aliviar tragicamente tamanha pressão.

Russel Crowe e Kevin Costner parecem ser os únicos contratados para atuar, o que é sintomático; assim como o mundo, Homem de Aço é um filme para machos. Martha Kent, Lois Lane, Ayelet Zurer, elas tentam se impor, mostrar força, mas foram desenhadas como sombras de seus homens. E nem vou falar do restante do elenco feminino, pois parece que todas foram desenhadas em 1939. Seria este um filme tradicionalista? Porque fazê-lo então?

Confesso que tenho pena do roteirista que pega um personagem unidimensional como o Super-Homem. O personagem é um fóssil como o Capitão América, mas não há como modular a história do kryptoniano. O cara é um deus, mas um deus mala, republicano e carola, não um deus pinguço e fanfarrão como Thor. O maior problema neste filme é que não há empatia do espectador com o protagonista. O elenco de apoio, que poderia fazer a ponte sobre o abismo que nos separa de um cara de capa que esbanja super-poderes e um sorriso de propaganda de creme dental, este abismo é imenso, aterrador. E o elenco não ajuda.

Snyder, então, capricha nos efeitos. O quebra-pau é fantástico. Muita porrada mesmo. Cidades destruídas, explosões dantescas, arranha-céus descendo ao chão como divindades de concreto destronadas, kryptonianos tomando munição traçante no meio da cara, e tudo de forma clara, coisa que o Michael Bay poderia aprender antes de fazer mais um daqueles episódios de Transformers em que o espectador não consegue entender quem está batendo ou quem está apanhando.

Termina a película, você está estufado de pipoca, e promete a si mesmo que não vai ver filmedaligadajustiçaporranenhuma.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Zack Snyder: Homem de Aço

  1. humberto disse:

    “O cara é um deus, mas um deus mala, republicano e carola, não um deus pinguço e fanfarrão como Thor.” KKKKKKKKKKKKKKKKKK

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