Neill Blomkamp: Elysium

Elysium-x

O roteiro é simples, até repetitivo: diretor se dá bem em produção local de baixo custo, e é cooptado por Hollywood. O diretor, neste caso, é Neill Blomkamp. A produção de baixo custo é o magnífico Distrito 9, que me deixou embasbacado uns anos atrás. E Hollywood é a mesma naba de sempre. Assim como Blomkamp. Felizmente.

Apesar de Matt Damon. O medo tomou conta de minha alma quando eu soube da escalação de Matt Damon para este filme, só que não. Damon não é assim tão ruim, até porque permite este quase trocadilho. Ainda mais se compararmos Damon com seus parceiros canastrões em Onze Homens e Um Segredo, George Clooney e Ben Affleck. Não necessariamente nesta ordem.

Damon funciona, em Elysium, da mesma forma que Keanu Reeves em Matrix. Ou seja, as restrições de expressão facial são úteis para o papel do herói que só entende o que está acontecendo em uma camada muito obscura. É o contrário da prata da casa, Wagner Moura, que faz um Spider nos limiares da credibilidade. Eu ficaria mais triste se fosse o Spider morrendo, mas não vou dar spoiler. Ops.

Blomkamp filma muito. Suas cenas de ação, sim, é um filme de ação com mote de ficção científica, são de uma confusão necessária e precisa. Como em uma briga de boteco, você pode até não entender como um está batendo em outro, mas entende quem está batendo em quem. Estou falando com você, Michael Bay, caso você não tenha entendido.

Ele é nojentão também. Tem sangue por todo lado, e todo mundo é suado, fedido e poeirento na Terra. Tirando a personagem da Alice Braga e a filha dela. Há facilidades para o público norte-americano, em quantidade suficiente para me fazer temer pelo orçamentos de novos filmes de Blomkamp. Por favor, público norte-americano e pessoas não-anglo-falantes que veem filmes dublados, gostem deste filme.

Como em Distrito 9, o filme trata de classes sociais, de política, de corrupção, de esquerda e direita. Blomkamp é antenado, traduz na tela diversas sutilezas atemporais. Por outro lado, sabe dirigir seus atores e deixá-los atuar. O vilanesco Kruger, palmas para ele, que mereceu ter a cara arrancada (mais spoilers), insere algumas falas de seu idioma local, criando coesão bem-vinda ao universo multi-cultural de Elysium. Nada mais adequado para uma Los Angeles que terá chafurdado ainda mais em cento e tantos anos.

Blomkamp está filmando de novo. Espero que melhor. Elysium é um filme acima da média de Hollywood, mas ainda está abaixo de Distrito 9. O que é compreensível. Aliás, é admirável que Blomkamp tenha conseguido o que conseguiu em Elysium. Mas pode ser bem melhor: sua mão é pesada em alguns pontos do roteiro, e algumas premissas não são exatamente verossímeis.

Apesar disso, é bem provável que eu espere seu próximo filme com bem mais ansiedade do que esperaria o próximo capítulo de Guerra nas Estrelas. Ah, disso você pode ter certeza.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para Neill Blomkamp: Elysium

  1. Jones disse:

    Fiquei curioso pra assistir. Já estava curioso por conta do Distrito 9, que considero um dos melhores filmes de ficção dos últimos anos.

    Blomkamp, como tudo que é atraído para a grande massa comercialista, talvez não tenho tido tanta liberdade de direção.

    De qualquer forma, sua crítica está bem bacana. Um zilhão de vezes melhor do que a da Veja (que peguei pra folhear de trás pra frente, como único passatempo momentâneo, no trabalho).
    Dona Isabela Boscov falou um monte e não falou nada.

  2. renatoturnes disse:

    Olha , acho que devias ter falado do trailer de Ensaio que tá passando antes e tem meu carão tombando com a Alice Braga.

    • gilvas disse:

      ixe, só se tu fores loiro e alto e boa-pinta, pois o trailer era do segundo filme do thor, hehe! ficou demais aquela tua foto de ensaio, diante do espelho.

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