Coxinha de foie gras

Foie-Gras-Delicacy-or-Disgrace

Campanha de divulgação do PETA

Foie gras é um patê feito com fígado de ganso. Até aí, nada demais; muita coisa que se come é feita de partes de animais mortos. O problema é que muita gente adora, até mesmo pedestaltiza, foie gras. Em Paris, pude ser testemunha ocular de uma infinidade de pequenos bistrôs onde foie gras era o topo do cardápio. Paris é uma cidade linda, mas a maioria de seu povo não está nada interessada em se informar sobre sofrimento animal.

Com o crescimento econômico das periferias globais, surgem hordas de novos-ricos doidinhos para consumir produtos que eram, até pouco, exclusividade dos ricaços europeus. Pode parecer um surto de democratização para o observador incauto, mas, para os animais, são péssimas notícias. Elefantes sofrem com o comércio renovado de marfim, tubarões sofrem quando chineses estúpidos usam suas barbatanas para “medicina” tradicional, pequenos primatas são mortos e assados por africanos recém recheados com dinheiro sujo do extrativismo.

No Brasil, a polêmica gira em torno da proibição da venda de foie gras. Como eu dizia, foie gras seria apenas mais uma comida baseada em animais mortos, se não fosse um detalhe: por conta da procura intensa, os criadores partem para métodos cruéis de obtenção de maior quantidade de fígado.

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Tiozinho fofo francês fabricando foie gras para você!

O método é antigo. Eu era moleque, e já lia reportagens horrorosas sobre o assunto. Para inchar o fígado do ganso, o criador precisa sobrecarregar o animal de alimento. Como o ganso não é um norte-americano típico cliente do McDonalds, ele precisa ser forçado a comer de forma extravagante e estúpida. O criador utiliza um funil para enfiar alimento goela abaixo do ganso. Foie gras, em suma, é produto de crueldade.

O brasileiro não tem costume de consumir a carne do ganso, ou outras partes, como as penas. Os europeus e asiáticos é que criam este animal há séculos, e consomem suas partes. No caso do Brasil, pode ser criada uma necessidade, coisa que a publicidade pode resolver em meia dúzia de comerciais. Vejam o caso Friboi-Tony Ramos, por exemplo: um ator global de novela das oito pode transformar carne de vaca em um produto desejável e correto, esteio da unidade familiar, da confiança e da qualidade.

Há quem enxergue a proibição do comércio do foie gras como uma afronta à democracia e à liberdade. Mesmo que nunca tenha comido foie gras, mesmo que não tenha a intenção de fazer isto em algum momento de sua vida. Esta atitude demonstra um ranço pueril de contrariar “aquele vegetariano chato do serviço”, travestida de posicionamento político. É um sinal dos tempos, destes tempos de classe média que fecha pontes para “protestar contra a corrupção”.

Proibir o foie gras em território brasileiro é ato de civilidade. O brasileiro não precisa de foie gras, e seu consumo é um ato de insensibilidade da população em relação ao sofrimento dos gansos. O Brasil não precisa macular sua imagem com foie gras. A proibição é um avanço. Em breve, espero que possamos atacar outras formas importadas de crueldade animal, como o baby beef, que orgulha tantos estabelecimentos Brasil afora.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para Coxinha de foie gras

  1. Ana Carolina disse:

    Mas como se fabrica esse troço sem maltratar ganso? Não tem como né Pedro!

    • gilvas disse:

      Ana Carolina.

      Eu acho que não entendi. Foie gras é algo de que realmente precisemos, um alimento essencial para nossa sobrevivência? Penso que não, que seja apenas um capricho que nós, homo sapiens, mantemos a despeito do sofrimento de outras espécies. Para mais detalhes em meu ponto de vista, visitar https://gilvas.wordpress.com/2012/05/15/2994/

      Boa tarde.

  2. Pedro disse:

    Isso é uma falácia. Não é necessário proibir o foie gras, basta proibir a crueldade com os gansos, isto é, a alimentação forçada. Podemos ser civilizados comendo foie gras, conquanto que não nos utilizemos destes métodos bárbaros.

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