Pílulas Royal

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Em declaração à imprensa por ocasião do fechamento de sua unidade em São Roque, o Instituto Royal diz que “Desde 2005, o Instituto Royal realiza testes pré-clínicos com vistas ao desenvolvimento de medicamentos para o tratamento de doenças como câncer, diabetes, hipertensão, epilepsia entre outros.”

Fiz buscas no Google em torno deste assunto, e encontrei, repetidas vezes, lamentos sobre o atraso que isto causará à nossa indústria farmacêutica. Os animais em São Roque, compreende-se a partir destes textos, serviam para replicar em solo brasileiro tecnologia previamente desenvolvida e aplicada no estrangeiro.

Ou seja, não se trata de pesquisa de novos compostos, ou de fármacos maravilhosos que vão curar o mal de Alzheimer ou o câncer. Temos aqui apenas uma disputa comercial, que envolve soberania nacional, de patentes e de nacionalização.

O discurso romântico de pesquisadores subjugados pela indústria farmacêutica, que nos enchem de criancinhas de cabeça raspada em suas apresentações de Power Point, é, no frigir dos ovos, um embuste.

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Mas eu não me surpreendo com os pesquisadores. Estes reproduzem o modelo de seus orientadores, e o pavor, de perder suas preciosas bolsas e seus preciosos feudos acadêmicos, os faz imitar, sem discutir, métodos arcaicos.

O que me incomoda mesmo é opinião pública, pronta a aceitar qualquer justificativa furada e se acomodar no sofá quentinho de suas casas. As pílulas básicas de hipocrisia:

a.
Os experimentos são fiscalizados por conselhos de ética. Balela! Conselhos de ética são formados por pesquisadores, e seu objetivo é garantir o andamento de suas pesquisas, e não prover bem-estar à suas cobaias;

b.
As cobaias são bem tratadas. Isto não faz o menor sentido. Se os testes estão sendo feitos em cobaias de outras espécies, é porque não se considerou ético fazer tais experimentos em seres humanos. Ou seja, as cobaias não são bem tratadas. Nem aqui e muito menos na China.

c.
As pesquisas são essenciais para encontrar a cura de doenças. Mentira. Pesquisas financiadas por laboratórios farmacêuticos se destinam a criar novos produtos que rendam dinheiro para a indústria farmacêutica. Esta indústria, quando se interessa em salvar vidas, é de gente rica que eles estão falando.

Estas são apenas três das pílulas que a mídia vendida nos ministra diariamente. O gigante (sic) prefere não ver esta realidade; melhor repetir, como um papagaio, o que a mídia nos repassa como verdade. Pensar, em suma, é cansativo, melhor voltar para o programa imbecilizante na televisão.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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