Editors: An End Has A Start

anendhasaastart

Editors é uma banda inglesa que revisita, de forma similar ao White Lies, o positive punk da virada dos setenta para os oitenta. Seu disco de estréia chama-se An End Has An Start, como manda a cartilha, impressa nas letras: pessimismo, romantismo, decadência.

Smokers Outside The Hospital Doors, a faixa de abertura, entrega a voz poderosa e aconchegante de Tom Smith e som poderoso do quarteto de Birmingham. O título enuncia um dos meus paradoxos prediletos, materializado todo dia diante do CEPON, o hospital do câncer que fica aqui perto, em frente ao Mercure do Itacorubi. Acompanhantes dos doentes os aguardam ali, em frente às portas do hospital, e não raros fumam consistentemente.

Mas a canção não trata deste espanto, mas de outro: filhos de uma era em que a paz está presente ao menos no centro, não vimos nada realmente entristecedor. O letrista relativiza esta percepção através da imagem dos fumantes diante do hospital.

The saddest thing that I’d ever seen
We’re smokers outside the hospital doors

Apesar disso, ele sabe que somos culpados, e que há uma guerra.

A faixa-título entrou imediatamente para as minhas dez melhores entre as canções que descobri em 2013. O ritmo é vertiginoso, a letra te absorve de primeira. Dá até medo de imaginar como deve soar ao vivo.

A sonoridade do Editors evolui sua base positive punk para uma alquimia atualizada em sua estrutura. Ou seja, não se trata de repetir os truques sombrios do final dos anos setenta, mas de recriá-los em uma era que já sabe o que é post-rock. Certas passagens bebem em Mono e Sigur Ros, por exemplo. O resultado poderia descrito pelas mesmas palavras que alguém poderia usar para falar sobre o Glasvegas. Só que o Editors tem carisma e mais de uma canção.

O disco é bem balanceado entre canções rápidas, como Bones e Racing Rats, e lentas, como as belíssimas Push Your Hands Towards The Air e Well Worn Hand. When Anger Shows parte naturalmente de uma estrutura cinzenta para explodir em magentas e escarlates. Spiders tem uma sonoridade diferenciada, como se nos desse uma pista do que a banda poderia querer fazer em seguida.

Mas não interessa: o disco termina, e eu quero ouvir de novo. Viciante.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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