Graham Greene: O Consul Honorário

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O Greene de O Consul Honorário é muito similar ao de O Americano Tranquilo, assim como a trama, mudando essencialmente o cenário, que passa do Vietnã para a fronteira da Argentina com o Paraguai. A história se passa durante o período das ditaduras militares na América do Sul.

A trama envolve, como é praxe em Greene, política, e circunda, pelas bordas, um triângulo amoroso, tal qual em Americano Tranquilo. A diferença reside em que Plarr e o consul não se consideram apaixonados pela prostituta Clara, ainda que a orbitem, ou ela a eles; a gente nunca sabe direito qual a hierarquia nestes casos.

Em ambos os romances, sobrevivem a moça e o vértice mais idoso do triângulo. Não consigo dizer se Greene realmente quer dizer alguma coisa com esta repetição, ou mesmo se ele a percebeu; sua prosa é por demais fluida para que tropecemos e divaguemos. É uma curiosa característica de seus livros: a profundidade com que Greene percebe a natureza humana e suas tragédias patéticas é encoberta pela sua habilidade ímpar de escrever num fluxo redondo, econômico, sem rebarbas.

Sua percepção da nossa América é correta. Ainda que não se possa dar certeza de uma militância a favor dos guerrilheiros, Greene com certeza não apóia as instituições locais, como o exército, ou as remotas, como a rede diplomática da Inglaterra.

Leia mais sobre Graham Greene aqui.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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