Laura Joh Rowland: Shinju

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Shinju, de Laura Joh Rowland, dificilmente entraria na minha lista de clássicos prediletos, mas, ainda assim, não carece de atributos de algum encanto. Trata-se de um romance policial passado durante o xogunato, este período da história que a tantos encanta.

Encanta a Rowland também, que, felizmente, não se deixa levar pelo canto da sereia, e evita deslumbrar-se. As injustiças, a falta de liberdade, a imobilidade social, os complôs, os costumes doentios, nada disso é evitado pela autora, que cria, apesar disso, heróis com motivos estóicos e honrados, escroques baixos e deslumbrados com seus pequenos poderes, e vilões terríveis com motivações simplesmente humanas.

Rowland sublinha cuidadosamente os rituais exóticos, deixando-se passar de raspão por algum didatismo extraviado que, todavia, não chega a incomodar. As descrições das paisagens, das roupas, das festividades, do interior das casas, são detalhes que mostram uma escritora cuidadosa. Curiosamente, é este apego ao detalhe e à continuidade da trama o que nega a Rowland qualquer chance de ser uma grande escritora. Há méritos em ser apenas correta, contudo.

A trama, como em todo policial que se preze, mantém o leitor tenso, preso às páginas. O protagonista é arremessado de turbilhão em turbilhão, e escapa, quase sempre, vivo. Ichiro Sano se enrosca mais a cada capítulo, e é quase com admiração que eu vejo a reviravolta final, um tanto rocambolesca, surgir. O parágrafo final é digno daqueles “filmes que deram origem à série”; Rowland deixa tudo pronto para uma possível continuação, ou para uma franquia de histórias de porte similar. Não seria difícil fazer um filme com base neste livro, se Hollywood não fosse tão obtusa.

***

Curiosamente, depois de escrever a resenha, ao procurar pela imagem da capa, descobri que Ichiro Sano realmente protagoniza uma série de histórias detetivescas passadas no Japão feudal.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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