Graham Greene: O Homem de Muitos Nomes

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O Homem de Muitos Nomes é uma narrativa rápida de Graham Greene, passada entre Inglaterra e Panamá.

A parte inglesa tem algo de Dickens em suas narrativas sobre garotos e sua inserção precoce no universo meio torpe, meio aventuresco dos adultos. Como tal, é encantadora como um Huckleberry habitando vielas cinzentas em vez de rios ensolarados no sul dos Estados Unidos.

A parte do Panamá é Greene em seu melhor, ou seja, tramas de espionagem descritas de forma sutil pelos contornos dos eventos. Marcante é o viés pelo qual o leitor enxerga os fatos: as imagens são pixelizadas, traduzidas pelas vozes imprecisas de comunicadores cheios de interesses, como se tudo emanasse de um tubo de raios catódicos. A imprensa é novamente achincalhada pelo protagonista Victor e também por Quigly, ambos jornalistas, de certa forma, que não se furtam a inventar notícias quando os eventos reais escasseiam.

Greene nutre pouca confiança no gênero humano. Talvez Liza, uma das três mulheres, mas ela existe miseravelmente em contraponto ao Capitão, cuja grandiosidade inventada empresta a Liza um ar épico, o mais próximo de redenção poética a que poderiam aspirar os personagens deste livro.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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