Celular revoltante

celular_e_direcao

Paro na calçada, esperando o sinal abrir. Observo, de passagem, os carros. Num primeiro momento, me atinge a noção de que há poucos automóveis que carregam mais de um motorista. Num segundo, reparo na proporção, crescente, de utilitários que, quase sempre, seguem o hábito de ter poucos ocupantes. Até neste ponto, os males são o mal aproveitamento das vias públicas e o descaso com o meio-ambiente, tendo como cereja, sobre o bolo de almeidismo, a vontade de ostentar, ainda que inconscientemente, seu privilégio.

Num terceiro momento eu sou forçado a deixar o resmungo de fundo social para me preocupar com um tipo de distração que, num extremo, pode causar mortes ou aleijamentos. Muitos motoristas dirigem falando ao telefone ou mesmo lendo e escrevendo mensagens, quiçá se divertindo com vídeos bobos ou feitos dos amigos em alguma rede social. Um pouquinho de mim atenta para a lenta idiotização do ser humano, mas o que realmente me abisma é o risco a que os pedestres, ciclistas, motociclistas e outros motoristas correm ao compartilhar as vias de trânsito com criaturas aparvalhadas, conectadas a seus computadores móveis.

Tamanha calamidade pública se desenha diante da cândida resposta dos órgãos responsáveis pelo trânsito. Algumas campanhas de conscientização pipocam aqui e acolá, tímidas, tentam convencer o cidadão irresponsável à moda de certos pais que insistem em solicitar educação dos filhos birrentos em troca destes não irritarem o “papai do céu” ou algum ente mais comercial, como papai noel velho batuta.

Cartaz com frase de efeito sobre fotografia de impacto conscientizador é um recurso que funciona bem na sala de criação da agência de propaganda. Motorista infrator precisa ser multado, precisa sentir dor no bolso, e, se o complemento for viável, um belo sermão de um policial educado e incisivo. Os órgãos de trânsito precisam aplicar uma rigorosa política de multas sobre usuários de celular ao volante, retornando estes recursos para a manutenção de programas de educação e aparato de fiscalização. Sem uma abordagem agressiva, tragédias principiarão a ocorrer, e o tempo de reação não será rápido o suficiente para evitar que elas se repitam pelo tempo que for necessário para implantar uma política efetiva de combate ao uso de celular ao volante.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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