Tempestade: Um rascunho

greystorm

O encanto pelas tempestades ocorre a outras pessoas, conforme me informam mensagens, imagens, pensamentos e outros registros reais ou virtuais. Porém, cada gosto se reveste das peculiaridades daquele que sedia este gostar. Para mim o prazer da tempestade se encerra em miríades de mistérios, que me comovem sem que se se possa descrevê-los.

Tentarei.

As primeiras gotas de chuva deixam o ar com um cheiro especial, impossível de descrever, desnecessário descrever, dado que todo ser humano, pelo menos nas regiões que já visitei, têm acesso a esta privilegiada sensação. É de outro cheiro que falo, este cheiro, sensação, confuso e difuso, que se infiltra nos torvelinhos da tempestade que se forma, um cheiro que exala eletricidade e poeira e uma esperança de umidade por cima das folhas que se levantam em revoadas de pontas verdes e beges e secas.

O som se espalha de forma distinta. Os ventos se encontram em torrentes, trazendo as vozes do ambiente para perto, depois para longe, como ventríloquos involuntários numa tarde preguiçosa de sábado. A preparação da tormenta ensaia um brouhaha montado a partir de vozes localizadas em locais distantes, que se encontram não para conversar, mas para comunicar um testemunho de vida que fervilha em cada canto deste bairro qualquer.

(tudo isso era para caber em um haikai que não aconteceu)

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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