Dave Lowry: O Dojo e seus Significados

LowriDojo

A prática de um Budô, como o Aikidô, entre outros, demanda um espaço adequado, o Dojo. Como em outras artes orientais, a prática dos movimentos estilizados deve ocorrer em um local onde esteja presente a essência da arte em questão.

Dave Lowri trata dos diversos aspectos que devem ser observados pelo praticante. Seu conhecimento da etimologia dos termos japoneses, e da origem remota continental de muitos deles, ajuda a separar o que é ritual essencial do que o escritor considera, com algum indisfarçado escárnio, maneirismos adquiridos posteriormente, mormente em escolas ocidentais.

O livro é dividido em capítulos que tratam de aspectos bem específicos, entregando o brevê de uma importância similar a alguns fatores que um praticante iniciante, ou mesmo um praticante avançado distraído, consideraria díspares sem esta análise cuidadosa. Trata-se do Kamidana, do Keikogi, do Hakama, do Deshi, do Sensei, tudo pela luz bem dosada da experiência de Lowry em mais de um budô.

Considero a leitura essencial, principalmente para quem assume o fardo pesado que é a responsabilidade de orientar uma turma de praticantes. Mesmo os faixas-pretas, que não são professores, não devem se esquivar das considerações de Lowry. Há pontos polêmicos, Lowry não considera filtros em suas críticas ao que considera como adereços incompatíveis com o budô, mas tudo é escrito de forma a fazer o praticante questionar se sua prática é efetivamente marcial, se ela está realmente o aperfeiçoando ou se está apenas implicando na repetição de gestos vazios e suor de academia de ginástica.

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Outro ponto a ressaltar é a imagem que ilustra a capa da edição brasileira da editora Pensamento. As efígies do Tigre e do Dragão estão nela, e ambos apresentam um semblante curiosamente dúbio. Eles estão concentrados e focados, mas, ao mesmo tempo, percebe-se um certo ar de troça, de uma alegria quase jocosa, que remete a uma percepção leve da arte marcial. Esta imagem me encanta desde a primeira vez em que a vi, num livro do Stevens, se não me engano. É uma pena que a edição não traga o crédito da imagem; se alguém encontrar, me interessa conhecer o autor e a época em que foi criada.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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