Pirandello: O Falecido Mattia Pascal e Seis Personagens à Procura de um Autor

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Extraído de uma dantesca pilha de volumes de cinco pilas, este Pirandello foi uma promessa de grandes retornos, efetivada. Este volume compila um romance, um rápido artigo que gira em torno deste mesmo romance, e um texto para o teatro.

O Falecido Mattia Pascal antes mantém acesa uma chama do romance novecentista do que instaura uma busca pelo novo romance do século XX. O começo, repleto de comiserações algo tediosas, não deve assustá-lo; talvez Pirandello tenha o redigido desta forma justamente para gerar um sentimento de contraste tão essencial à dinâmica da narrativa. O protagonista se lança, quase inadvertidamente, a um périplo de transformação bem similar em estrutura ao de Samsara, belo filme asiático. Pascal pode rechear suas divagações de alguma filosofia europeia tradicional em lugar dos insights budistas que habitam Samsara, mas os cumes e os vales de ambas as narrativas encontram-se mais de uma vez em pontos similares.

O artigo a seguir trata de um tema que me apaixona deveras: a necessidade de verossimilhança na ficção, lei injusta por demais severa; que há de verossímil no noticiário? Quantas bizarrices aceitamos como viáveis apenas porque efetivamente tomaram forma diante de nós diretamente ou por registros fidedignos? Rimos das improváveis aventuras de um personagem de ficção, mas as perdoamos, as absorvemos sem discussão quando são inegavelmente palpáveis. Ainda que absurdas.

A realização estética mais inovadora provavelmente é o texto de Seis Personagens à Procura de um Autor. Usando de metalinguagem, Pirandello expõe suas diversas inquietações criativas em situações limítrofes. Ainda que possa prestar-se a entretenimento, o que encanta são justamente os questionamentos que são colocados de forma repentina em cada guinada da narrativa, revelando facetas sutis das personalidades, quase sempre mesquinhas e enormemente humanas, que habitam tais páginas.

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Pedante e decadente, ao seu dispor.
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