São Paulo vinte e poucas horas

clanmadama

A primeira vez em que ouvi falar de Xymox foi em uma coluna sobre discos importados da Bizz. Desde então a banda holandesa habita o meu imaginário pessoal, apesar das guinadas estéticas e estratégicas ao longo de mais de três décadas. Ronny Moorings pode parecer ao desavisado um clone de Robert Smith. Esta impressão seria confirmada pela formação que se apresentou no Madame no dia trinta de março deste ano; apenas Moorings restou da formação original.

Moorings sobe ao palco sisudo como de praxe, seguindo a escola New Order de interação mínima com o público, o que eu já esperava. Mas tanta coisa fez falta. De cara, a baixista Mojca fez falta. Uma bateria real fez falta. Pieter Nooten faz falta desde o final dos anos oitenta, quando se houve a magnífica Obsession, plena de ritmos contagiantes e guitarras empolgantes, mas a situação se deteriorou ainda mais. No lugar de Mojca entrou um baixista genérico e quase empolgado, que faz suas partes de forma profissional e, combinemos, não combina com a banda. A dupla de tecladistas e programação demonstra que pessoas podem, sim, ter carisma nulo. Fico imaginando onde Moorings achou uma gangue tão desprovida de graça.

A voz de Moorings segue muito boa, com seu timbre e seus cacoetes característicos. É uma das virtudes da noite. Faltou um vocal de apoio consistente; um dos tecladistas fazia o trabalho de forma preguiçosa e creio que pelo menos metade da plateia teria plenas condições de subir ao palco e enriquecer as vozes. O som estava regulado de forma a causar espasmos com o grave, de forma que o restante dos elementos ficava em segundo plano. As canções novas da primeira parte da apresentação foram algo tediosas e o repertório novo decolou apenas na segunda metade, efeito talvez de um gim tônica que tive de implorar ao barman para me servir.

A apresentação não chega a ser ruim, afinal há o repertório do Clan of Xymox e toda a espera do fã que digita estas linhas. Mas, cá entre nós, poderia ser bem melhor.

A banda de abertura foi o Decoded Feedback. A impressão ao vivo é a mesma dos discos. Eles fazem um EBM que já era datado no final do século XX. Talvez eles alcancem alguma relevância em algum eventual revival do estilo. Sonhar não custa.SAO PAULO, SP, 25.01.2016: ARTE-SP - Movimentacao na exposicao Mondrian e o movimento STIJL que estreou hoje, segunda-feira (25) no Centro Cultural Banco do Brasil (Centro). (Foto: Dario Oliveira/Codigo19/Folhapress)

SAO PAULO, SP, 25.01.2016: ARTE-SP – Movimentacao na exposicao Mondrian e o movimento STIJL que estreou hoje, segunda-feira (25) no Centro Cultural Banco do Brasil (Centro). (Foto: Dario Oliveira/Codigo19/Folhapress)

Aproveitando a passagem por São Paulo, fui ao CCBB ver a exposição Mondrian e o Movimento De Stijl. Parabéns à curadoria pela representatividade didática da exposição. O espaço foi modificado para receber as peças, que vão de quadros, quase todos de Mondrian em diversas fases, a maquetes, desenhos e itens de mobiliário. É excelente ter a oportunidade de aprender de forma tão direta e bem resolvida. Vale pontuar um momento de sarcasmo em que uma senhora, observando as obras do início da carreira de Mondrian, dispara equivocadamente um comentário copiado do livreto da mostra, aplicado à fase errada. Ela olha para telas de paisagens e diz “olha só que quadro abstrato”; menos, Batista. Não perca! A exposição é linda e a entrada é franca.

griffinstory

As salas de espera me deram o tempo necessário para finalizar o volume bobo de Steven Gould, Griffin’s Story, um spin-off do sucesso cinematográfico Jumper, que antecipa a enxurrada atual de filmes de super-herói, sendo bem melhor do que a maioria, diga-se de passagem. É leitura de aeroporto, que me atraiu principalmente porque eu poderia treinar meu incipiente domínio sobre o idioma inglês. Divertido e empolgante mas não vai mudar a tua vida.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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