Mark Twain: The Adventures of Huckleberry Finn

huckleberry

Huckleberry Finn é um clássico da literatura norte-americana. A descrição da sociedade do sul dos Estados Unidos é consegue ser precisa ao mesmo tempo em que entretêm. Os tipos de Mark Twain são detalhados de forma prodigiosa, com especial cuidado para o sotaque característico de cada grupo social ou geográfico. O sotaque pesada que mais se ouve é o do narrador Finn, mas o que mais marca é a fala do negro fugido Jim. Engato uma reduzida violenta para capturar suas falas e esta forma específica se coaduna com o conteúdo de cada frase levando a um resultado que não posso reputar abaixo de magnífico. Os caipiras de Twain são maravilhosos também, embora cause um desconforto gigante a constatação de que, sim, aqueles eram tempos muito bicudos.

Finn é quem passa por perrengues pesados, talvez em escala similar à de Jim. O pai de Finn é um bêbado imprestável e violento que a lei não consegue evitar que ameace e sequestre o menino. Os momentos descritos são tensos, mas não é apenas o pai que Finn deve temer; há bandidos furiosos em um barco encalhado, famílias que se digladiam em guerras de vingança à moda dos familiares de Romeu e Julieta, golpistas perigosos e instáveis que colocam a ambos os nossos heróis em encrencas potencialmente causadoras de morte. Tudo isso é embalado pelo fluxo incansável do rio, que leva para o Sul carcaças, pedaços de madeira, barcos quase inteiros, toras e toda espécie de dejeto de uma sociedade que está terminando de destruir tudo o que nas margens.

Isto é uma resenha rápida para te convencer a ler este volume em inglês; é realmente encantador. Sério, corra atrás deste livro, ele é essencial para uma formação humanista. Agora vamos falar de incômodos, intensos incômodos. Passei raiva durante algumas páginas deste livro e isto coincidiu com a chegada de outro herói de Twain e título de uma música do Rush, Tom Sawyer. Gente, que moleque chato! Enquanto Finn se debate em um mundo onde ele tem de lutar para sobreviver, Sawyer é um sonhador do tipo perigoso, uma criatura carismática o suficiente para oferecer perigo imediato e consistente a todos que entram em seu raio de ação. Sawyer me lembra um outro pilantra charmoso e perigoso que não me desce, Ferris Bueller. Sim, Bueller é um mala sem alça e eu já falei sobre isso.

O final do livro mostra uma situação bastante complicada para Jim, e Finn se esforça para bolar um jeito de libertá-lo. Como tudo que vem de Finn, é um plano pragmático, que busca a eficiência e a eficácia com o mínimo de risco. Isto não satisfaz Sawyer, que transplantou sua mente para o mundo fantasioso dos romances de capa e espada; seus planos geram incômodos intermináveis e riscos desnecessários, tudo para atender aos seus caprichos, que ele considera como seus mínimos padrões de como as coisas devem ser feitas. Se esta abordagem bizarra choca Finn, o que dizer de Jim? Ambos se curvam a Sawyer, o que me causa toda espécie de vontade de esganar o moleque pentelho; são algumas páginas bem chatas, para ser sincero e direto, embora não tirem o brilho do livro.

Me pus a refletir sobre a existência de pessoas com este perfil de Sawyer em equipes de projeto. A boa gestão mostra que perfis diferentes geram conflitos válidos e úteis, e eu acredito nisso, mas fico pensando se o retorno das ações, desencadeadas por um tal aventureiro sonhador e inconsequente, compensa o stress. Me pergunto se eu teria capacidade de gerenciar os conflitos provenientes das interações deste tipo de perfil com uma equipe de colaboradores mais pragmáticos. Trabalho em projetos de perfil conservador, sem grandes ousadias conceituais, mas penso que poderia ser diferente se eu trabalhasse para a indústria de consumo. Eu realmente não sei dizer.

Sim, o texto termina assim. Se alguém quiser tecer opiniões sobre o assunto, a caixa de comentários e eu agradecemos.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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