Aldous Huxley: After Many a Summer Dies the Swan

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Sempre me deixou curioso o conjunto de eventos que levou Aldous Huxley de romances como Brave New World a ensaios religiosos e pirações metafísicas e religiosas. Este After Many a Summer Dies the Swan me deu algumas pistas de como isso pode ter ocorrido.

Este é o primeiro livro de Huxley que leio no idioma original, o que deixa mais claro o frasista magistral que ele era. O sarcasmo é destilado em uma prosa que merece ser lida em voz alta enquanto se caminha pela casa, frases tão bem escritas que poderiam ser vertidas em boa música pop sem maiores ajustes.

Inicialmente, provavelmente até metade do livro, a trama é tênue. O esforço, nesta fase, está focado em construir os personagens. Um milionário relativamente velho que sofria bullying no colégio, um erudito cinquentão britânico que mora com a mãe dominadora, uma sugar baby angelical recheada de culpas, um médico nem lido que sabe aproveitar oportunidades, seu ajudante idealista e excessivamente jovem, o pensador elevado que serve como um motor de consciência a partes do grupo, uma família paupérrima de colhedores de laranja saídos de vinhas da ira, duas senhoras inglesas que são o último bastião de sua família a caminho da extinção. Ah, e um pacote de papéis antigos comprados das tais senhoras decadentes, mais babuínos e um casal de carpas bicentenárias.

Minha primeira impressão é a de que Huxley aproveitou sua ida aos Estados Unidos para escrever as impressões imediatas que um inglês teria na terra dos excessos da Califórnia. Jeremy, neste início, pode ser visto como o alter ego do autor, algo que logo se dissolve conforme a trama evolui. Boa parte do volume se presta a pontuar os vícios de uma sociedade afluente que traz infelicidade a todas as suas camadas. Me parece que os pontos de conexão da trama, derivativa de romances de mistério e horror novecentista, possam ter sido plantados posteriormente no texto de modo a justificar o que virá a acontecer no último quarto do livro.

O desfecho da última página aproveita os conceitos de estudiosos pós-darwinistas, conceitos que continuam válidos hoje. Há várias formas de uma espécie evoluir para outra e uma dessas formas é interromper o crescimento antes que se alcance a idade adulta. O conceito em si é fascinante, e Huxley o utiliza no sentido contrário ao da teoria da evolução, aplicando a involução, conceito bastante popular em filmes desde então.

Depois deste livro Huxley ainda escreveu outros, mas perdeu o gosto pela ironia e pela crítica dos tipos sociais. Tal como o Prompter deste livro, se propôs a levar suas curiosidades para um nível além do meramente humano, buscou deixar de lado as projeções idealísticas de seu ego. Ainda não li nada dessa produção posterior, mas tenho um exemplar na prateleira sobre religiões. Vai demorar um pouco para eu me animar a ler. Por enquanto, prefiro me manter fiel a este Huxley que ele próprio rejeitou.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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