Cliver Barker: Abarat

AbaratBarker

Abarat é uma série de livros de fantasia, escritos e ilustrados por Clive Barker. Estão previstos cinco livros, dos quais três já foram lançados. Eu li apenas o primeiro. A temática é familiar. Como em Alice e em O Mágico de Oz, uma menina atravessa a fronteira do mundo cotidiano para adentrar um universo de fantasia. De certa forma é o que temos em Stardust também, onde um rapaz faz a travessia. Candy, protagonista de Abarat, não é uma menina, é uma moça, tem a idade dos leitores que Barker provavelmente tem em mente ao escrever este série de livros. Barker, todavia, é mais sombrio do que Baum e Carroll, e talvez esteja um pouco além de Gaiman neste quesito. O perigo em Abarat é constante como suas bizarrices encantadoras; Candy corre por sua vida, que está sempre por um triz. Alguém sempre quer tirar proveito da protagonista, alguém com garras, com pesadelos que nadam em torno de seu rosto, com instintos macabros, com razões baixas e sórdidas. Ainda que haja muito bem em Abarat, o horror é que salta aos olhos. Com potencial de arrancá-los no processo. As ilustrações de Barker não chegam a ser gloriosas, preferem ser pessoais e intransferíveis. O texto flui melhor quando Candy entra em Abarat. Antes disso soa algo confuso e doloroso, o que pode ter sido a intenção de Barker, mas, diabos, Candy realmente não tinha nenhuma razão para olhar para trás em direção à sua cidade galinácea. Poderia ser uma metáfora do início da idade adulta, que envolve escapar dos pais e de todo um universo que não raro se despreza, buscando adentrar e ser aceita em um novo e perigoso universo que é, ao mesmo tempo, tedioso para quem lá habita e inacreditável para quem, como os pais de Candy, vive em nosso próprio universo tedioso e desesperançado. Há quatro livros para tirar esta dúvida. Espero poder encontrar o próximo pelos mesmos módicos dez pilas que me custou este. Sim, como Candy, eu posso sonhar; vai que Abarat existe?

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Cliver Barker: Abarat

  1. Mario Tessari disse:

    Tuas escrituras estão ganhando fluência. O texto está de bom tamanho. Ou seja, sem os pecados da prolixidade e do laconismo. Vejo equilíbrio entre interpretação e opinião. Muito bom. Bem percebido que “Poderia ser uma metáfora do início da idade adulta, que envolve escapar dos pais e de todo um universo que não raro se despreza, buscando adentrar e ser aceita em um novo e perigoso universo que é, ao mesmo tempo, tedioso para quem lá habita e inacreditável para quem, como os pais de Candy, vive em nosso próprio universo tedioso e desesperançado.” Parabéns! Livre de vírus. http://www.avast.com.

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