Thanos: Dolorosamente Real

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Thanos é um personagem da Marvel que já apareceu de relance no filme dos Vingadores. Ele faz parte de epopeias cósmicas da editora e sempre achei sua motivação principal um tanto ridícula. Thanos é apaixonado pela Morte e, para agradá-la, vive planejando mortandades em proporções galácticas. Entretanto, minha experiência de vida não raro me proporciona meios de repensar meus conceitos e meus preconceitos, e hoje me ocorreu que Thanos não é, enfim, tão desprovido de verossimilhança.

Sou aficionado por astronomia, principalmente no que tange ao nosso quintal, o sistema solar. Me encantam as missões de exploração, as descobertas científicas, os vislumbres de mundos que são tão diferentes do nosso e que me fazem me apaixonar ainda mais por este mundinho azul lindo que me abriga e me dá condições de seguir minha vida. Como em minhas viagens, o que mais me agrada é retornar e descobrir que não há lugar como nossa casa. Morro de amores por este planeta e sou apaixonado pela cidade em que moro.

Quando se fala de planetas próximos como Marte e Vênus não raro são traçados planos de como colonizar esses mundos inóspitos. Planetas podem ser moldados por engenheiros e tecnologia, podem ser preparados para acomodar a vida humana em maior ou menor grau de conforto. Os desafios são enormes e movem dezenas de sonhadores e obcecados. Vênus é o planeta mais quente do sistema solar, possui uma atmosfera irrespirável de uma densidade absurda e mesmo assim há quem sonhe com uma colônia naquele local. Marte não fica muito atrás em termos de problemas técnicos de implantação de uma colônia, mas isso não foi empecilho para que milhares de pessoas se inscrevessem para uma viagem somente de ida cujo objetivo é implantar a primeira colônia no planeta vermelho.

Eu olho ao meu redor. Poluição, queima de combustíveis fósseis, extinções massivas de plantas e animais, desmatamento, zoológicos, toda espécie de horror se espalha pela Terra como uma maldição. O homo sapiens realmente não gosta de seu lar, talvez nosso destino seja realmente escapar do planeta quando terminarmos de estragá-lo como em Interestelar. Eu não acho que essa atitude esteja muito distante de um fanfarrão ignorante e covarde como Donald Trump ou de qualquer um de seus apoiadores acéfalos. Trump é apaixonado pela morte, assim como o fictício Thanos. Trump é tão absurdo, inclusive, que poderia ser tomado como uma criação dos quadrinhos caso houvesse menos registros audiovisuais de que, lamentavelmente, ele existe e é realmente daquele jeito. Assim como são os criacionistas bizarros e suas crenças e convicções.

Olhando mais perto, aqui no Brasil, os palhaços perigosos que deveriam nos representar no congresso nacional não perdem tempo quando se trata de oportunismo. Um grupo dessas pessoas criou a tal da frente Armas pela Vida. Antes de entrar neste tópico, talvez seja necessário um esclarecimento. Armas, sejam de fogo ou de qualquer outra natureza, se prestam a matar pessoas ou outros animais, qualquer criatura que esteja viva em dado momento. Armas, desde o primeiro osso que um primata nosso antepassado usou para executar um oponente tendo um monolito negro silencioso ao fundo, servem para matar, tirar a vida, apagar ou qualquer outro termo que implique em eliminar os sinais vitais de outra criatura vivente. Dito isso, eu penso nos malabarismos desonestos que os proponentes desta tal frente Armas pela Vida devem executar com as palavras. Todas essas pessoas, enfim, são como Thanos, são apaixonadas pela morte, se ajoelham diante de seu altar, cultuam a destruição do outro.

Vejo pessoas caminhando nesta trilha de morte, seja pelo assassinato do que não lhes agrada, seja pelo sufocamento lento do planeta onde vivemos, o qual poderia ser percebido como suicídio disfarçado de involuntário, ritual final de devoção à senhora morte. Falta amor, falta empatia, a morte caminha entre nós ceifando vidas enquanto os Thanos cotidianos se regozijam em seu fervor surreal.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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