Stellardrone: Light Years

A exploração espacial ganhou novo ânimo nos últimos anos. Pode ser culpa do Elon Musk, pode ser apenas escapismo das crianças do milênio, pouco importa. Há novos filmes e novas séries, e, provavelmente tão importante quanto, há gente criando música para servir de trilha para as viagens espaciais que a humanidade ainda empreenderá. O disco Light Years, de um projeto que conheci por indicação do Google Play Music, Stellardrone, é um épico discreto. A capa de um céu azul escuro marcado por luzes em longa exposição vista da superfície da Terra, ou não, explica o conceito. Canções de duração tradicional, três minutos em média, investem em derivativos sedutores de Kraftwerk. São dez temas instrumentais como nomes que remetem a epopeias espaciais. A proposta é imersão: flutua-se em espaços distintos e distantes, com velocidades que variam, sempre a favor da contemplação de paisagens que se desenham por trás das pálpebras, em algum lugar entre estas e os ouvidos. Pode ser escapismo, mas há destinos piores para se perder ou se visitar, pode acreditar que há.

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50 Tons de Yorke

No dia 22 de Abril de 2018 pessoas diferentes assistiram a diferentes apresentações da banda inglesa Radiohead. Havia algumas, alçadas pelo poder econômico, que ficaram perto do palco e puderam ver e ouvir e se maravilhar com uma banda que, apesar de alguns tropeços, ainda é a melhor da atualidade. Outras pessoas ficaram na pista dois, e de lá pouco se via e, dizem, pouco se ouvia. Em 2009 o Radiohead se apresentou com outra proposta, mais democrática: ingressos todos pelo mesmo preço, entre outros detalhes, mas eles devem ter tido tanta dor de cabeça que voltaram ao Brasil de forma mais convencional. Continuar lendo

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Deixa

A pessoa me conta que está tentando gostar de cerveja. Sofre com o amargor e não tem certeza de que álcool seja uma adição que vá ajudar a manter a silhueta que cisma em escapar conforme os quarenta se aproximam. Continuar lendo

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Ryan Coogler: Pantera Negra

São dez anos desde que a Marvel, ainda dona do próprio nariz, lançou Homem de Ferro e conseguiu cravar o primeiro passo, não de uma franquia, mas de um universo ficcional. Os filmes do Batman conseguiram, com Tim Burton e Christopher Nolan, criar outros precedentes muito relevantes, mas foram bons momentos soltos, sem continuidade. Ainda que de forma irregular no quesito qualidade, foi a Marvel que conseguiu construir uma narrativa unificada a ponto de atrair o espectador de blockbuster para um selo e não apenas para um personagem. Os filmes da Marvel se prenderam a uma fórmula bem tediosa, como se pôde perceber em Era de Ultron e no Reino Sombrio de Thor, ambas películas burocráticas e desprovidas de qualquer interesse cinematográfico. Os executivos perceberam que vinham perdendo a mão e que até a DC estava finalmente se mexendo, e chegou o momento do filme de super-herói ir além do CGI e da ação desenfreados; já basta a franquia Transformers ser a porcaria que é. Continuar lendo

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A Síndrome de Roqueiro Sofre

A política no Brasil passa por uma profunda crise de valores quando os estratagemas da elite reinante e de seus lacaios do Legislativo e do Judiciário se vêm rebolando para tentar escapar do crivo de algumas publicações e de algumas pessoas que exercem seu pensamento crítico e seu sistema de valores morais. Neste ambiente, é de surpreender que haja quem se disponha a focar sua indignação em, por exemplo, como a Pablo Vittar canta ou como a Anitta faz clipes. Continuar lendo

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William Faulkner: O Povoado

faulknerpovoadoO Povoado é a primeira parte de uma trilogia criada por William Faulkner, escritor do sul dos Estados Unidos. A trilogia trata da saga da família Snopes e é ambientado em um condado fictício criado a partir das percepções que o escritor tinha da terra em que vivia. Ainda que tenha sido planejada na década de vinte do século vinte, os livros finais só vieram à luz quando Faulkner já havia amadurecido sua produção literária, o que demonstra a importância desta trilogia para ele. Continuar lendo

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Clive Barker: Galilee

Como não amar novela? Eu adoro. Se eu me permitir, posso perder horas assistindo alguma novela tosca. Caio em todas as armadilhas e apenas finjo que me irrito com as apelações. Gosto de novela como gosto de jogos de computador e de casadinhos de uma forma lamentável e culposa. Assim, não assisto novelas, não jogo no computador (os inimigos podem alegar que Yousician é um jogo, mas eu me encasulo em minha certeza de que é uma máquina de aprendizado) e procuro evitar a exposição a casadinhos oferecidos.

Sendo esta pessoa volúvel, quando uma novela se oferece em forma de tijolão de setecentas páginas, eu não resisto. Caio matando. A leitura voa e termino o volume tão rápido quanto terminaria com um daqueles volumes da Coleção Vagalume que embalaram os primórdios da minha vida na leitura. Galilee é a novela em questão e eu me diverti horrores. Continuar lendo

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