Carne Doce: Tônus

CarneDoceTonus

A sonoridade do terceiro disco da banda goiana Carne Doce remete ao distanciamento eletrônico de bandas antigas como The Cure e nem tão novas como The XX. Este registro é meu primeiro contato com as letras carregadas de sexo e o vocal oitentista de Salma Jô. O disco tem a beleza dos registros em álbum, vive por uma sonoridade do conjunto, algo que, felizmente, não se perdeu na orgia dos lançamentos picotados que, profetas profetizaram, seriam o padrão da internet. Sou um carola quando se trata de letras safadas e daí leva um tempo para entrar neste disco. O que pode ser bom, gosto de discos que me desafiam, me sinto melhor deles depois. Quase sempre. Continuar lendo

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Reinaldo José Lopes: 1499 O Brasil antes de Cabral

lopes1499Vivemos tempos bicudos, em que o adjetivo “incorreto” é visto como algo natural e até necessário em títulos de publicações que se propõem a tratar de assuntos sérios, como história, de um modo diferente, o que, na prática, resulta em textos levianos e irresponsáveis. “Incorreto” tem sinônimos como “errôneo, desacertado, equivocado, errado, falso, imperfeito, impreciso, inexato e inverídico”, então eu nem precisaria estar escrevendo este parágrafo de meu texto. Continuar lendo

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Ira Levin: The Stepford Wives

The Stepford Wives é um conceito amplamente difundido. Eu utilizo para descrever algumalevinstepfords pessoas da minha convivência, inclusive. A narrativa é um ícone pop, por conta deste conceito tão certeiro e também devido à guinada do roteiro. Eu não vi nenhuma das versões cinematográficas, e, considerando as resenhas que a versão de 2004 recebeu, assim como os comentários desabonadores do diretor e de alguns membros do elenco, só darei uma chance à versão mais antiga. O que também é improvável. A narrativa de Ira Levin, também responsável por Rosemary’s Baby e The Boys From Brazil, adere ao papel com uma lealdade exasperante. Roman Polanski, que teve sucesso ao colocar a cria chifruda da Rosemary poderia ser um candidato, mas eu decidi não dar audiência a estupradores de menores. Darren Aronofsky, com seu Mãe, poderia ser uma opção, mas acho que lhe falta o intimismo que a jornada trágica e suburbana de Joanna Ebernhart exige. Enfim, por que eu deveria me preocupar? O livro é suficiente genial. Continuar lendo

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Ana Beatriz B. Silva: Mentes Com Medo

mentesmedoMentes com Medo é um livro da médica Ana Beatriz B. Silva que se propõe a um rasante sobre o que a medicina sabe sobre medos, fobias e ansiedade, entre outras variantes. Ela fala de como a mente é estruturada e como isto impacta no surgimento dessas patologias. Ela fala, por exemplo, sobre transtorno obsessivo compulsivo e transtorno de ansiedade generalizada usando de uma linguagem técnica simplificada, apresentando os principais sintomas, depoimentos associados a casos que ela tratou e os tratamentos mais comuns para cada patologia. O viés utilizado é o da psiquiatria, então surgem os inevitáveis medicamentos controlados, que são receitados principalmente no início do tratamento, mas que são sempre complementados por terapia cognitivo-comportamental. Continuar lendo

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Stanislaw Lem: Solaris

lemsolarisalephSolaris é um romance que sempre persegui à distância. Sua reputação sempre o precedeu, embora parte dela esteja associada, em minha memória afetiva, à versão cinematográfica de Tarkovski, relembrada pela versão recente do canastrão Clooney. Uma digressão: eu me pergunto quem teve a ideia de jerico de fazer Clooney encaixar em um filme como Solaris? Só pode ser uma ideia “dos mesmos produtores de Gravidade”. Eu não assisti ao Solaris de Clooney, mas meus preconceitos fluíram como tarô e me disseram que deve ser, no mínimo, indigno da grandiosidade intimista deste livro de Stanislaw Lem. Continuar lendo

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John Kenneth Galbraith: Crônicas de um Eterno Liberal

galbraithcronicasCrônicas de Um Eterno Liberal é uma espécie de coletânea de lados B da discografia do Galbraith, algo similar ao que o Fritjof Capra publicou em Sabedoria Incomum. Por um lado positivo pode ser um bom momento para repassar as ideias dos livros principais e conhecer um pouco melhor a pessoa por trás delas. Por uma lado negativo fica parecendo oportunismo editorial vendendo mais do mesmo. No caso de Galbraith, eu diria que é mais jogo ler A Era da Incerteza seguida de O Novo Estado Industrial e, se sobrar empolgação, rir litros com a prosa elegante e sarcástica de O Triunfo, único romance do economista canadense. Continuar lendo

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Philip K. Dick: Um Reflexo na Escuridão

dickUmReflexoNaEscuridao

Um Reflexo na Escuridão deve ser o PKD mais triste que já li. Antes de ser triste, ele é incômodo. Por que ler um livro assim? Porque são livros assim, como pensava Kafka, que importam, são livros assim que fazem a palavra “literatura” ser aplicada com propriedade. Continuar lendo

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