Yuval Noah Harari: Homo Deus

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Seguir as linhas de raciocínio de Yuval Noah Harari é uma experiência desafiadora e repleta de recompensas, o que não impede que o percurso dessas ideias seja perturbador. Seu Sapiens foi um dos livros mais rápidos que devorei nos últimos tempos, e Homo Deus não ficou muito atrás. Harari analisa o ponto onde chegamos e propõe alguns cenários para onde poderíamos nos encaminhar. Fome, guerra e morte logo não serão problemas, pelo menos para os ricos. Seres vivos não passam de algoritmos bioquímicos. O conceito de mente pode estar à beira de ser desconsiderado e talvez consciência não seja tão relevante quanto inteligência; se este for o caso, os seres humanos se tornarão obsoletos em algumas décadas e podemos estar inseridos em universos do estilo Matrix mais cedo do que imaginamos, abraçados aos animais que tão cruelmente viemos escravizando desde o início da revolução agrícola. Continuar lendo

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Marguerite Duras: O Deslumbramento

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Lol V. Stein poderia ser uma Manic Pixie Dream Girl muito antes de seu tempo, embora seu arquétipo possa ser capturado bem antes, no cinema francês. O que não deixa de fazer sentido cronológico e geográfico. Minha experiência anterior com Duras é a adaptação cinematográfica de O Amante, que, casualmente, possui uma personagem avoada em moldes similares aos desta senhorita Stein. Continuar lendo

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A Morte é um Dia

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Ocorreu no intervalo entre os meus vinte e cinco e trinta anos. Ou talvez antes. A ficha caiu no meu colo. De repente eu percebia, em um único súbito momento de iluminação, que feneceria minha energia em algum trecho da caminhada. Defini uma data limite de capacidade funcional do corpo que propicia esta ilusão de consciência que vos escreve, sessenta anos. Continuar lendo

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Jorge Luis Borges: O Livro dos Seres Imaginários

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O curioso dos seres imaginários é que eles foram imaginados por alguém. Continuar lendo

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Richard Dawkins: Deus, Um Delírio

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– Quanto tempo você leva para ler um livro desses? – A voz ao meu lado me surpreende.

A tarde mostra sinais de preguiça enquanto caminha para um de dia de nuvens confusas. Estou dentro de um ônibus a caminho do fisioterapeuta. Remoo-me internamente por ter perdido um ônibus mais conveniente, um resmungo que se sobrepõe ao de não estar pedalando minha Sula; ela está na revisão faz uma semana. Apesar de tanto combustível para a rabugice, estou tranquilo e olho para minha interlocutora. Mulher, usa óculos, provavelmente da mesma idade que eu, um tanto ansiosa, deduzo pela forma atrapalhada com que coloca as palavras. Respondo algo sobre estar lendo este exemplar desde a semana passada. Ela engata a tréplica sem respirar, Continuar lendo

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Margaret Atwood: Vulgo Grace

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O exercício da ficção foi exaltado por Oscar Wilde e execrado por muitos outros. O ato de redigir ficção, olhado friamente, em pouco difere do ato de escrever mentiras. Do outro lado da moeda, o que dizer de quem lê as mentiras do escritor e, a diferentes níveis, nelas acredita, comovendo-se com a morte de seres que nunca existiram ou indignando-se com as perfídias imaginárias de vilões feitos de quimera? Estas são peculiaridades do ser humano, que reputo serem mais admiráveis do que a inclinação à fofoca, por exemplo.

Alguns perguntarão se existe realmente ficção. O escritor realmente cria tudo de sua mente? Neste caso, estaria ele apenas disfarçando seus fantasmas interiores com roupas de outrem e forçando esses fantoches copiados a reproduzirem ações que já ocorreram em algum grau de intensidade no cotidiano? O que dizer então de um escritor que toma alguns fiapos de realidade, capturados em jornais do século XIX, sobre um famoso caso de assassinato no qual um dos acusados transformou-se no foco de uma polêmica imensa? Continuar lendo

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António Damásio: O Erro de Descartes

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Desde que me conheço por elucubrador me lembro de cultivar restrições a Descartes, o homem que deu feição a um modo revolucionário de ver o mundo e que, curiosamente, está na base da minha formação como engenheiro. A implicância, descobri mais tarde, tinha razões sólidas. A filosofia cartesiana possibilitou a evolução da técnica, que por sua vez deu vazão às maravilhas da revolução industrial. Assim como nossa era discute se a indústria é tão maravilhosa assim, o mesmo se dá com as ideias de Descartes. Ocorre que ambas são ferramentas, úteis por algum tempo, mas que acabam sendo deixadas num paiol para um esquecimento nostálgico ou eventualmente são mantidas pelo meio do caminho para gerar a lembrança dolorosa que as quinas reservam aos joelhos dos incautos. Continuar lendo

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