The Catcher In The Rye: Second Round

Num esforço monstruoso para tornar-me um ogro mais adequado ao convívio com os seres humanos, aceitei ler The Catcher In The Rye, desta vez no idioma original. O passo em direção à Era de Aquário, neste caso, se daria pela tolerância, e pela noção de que este romance era um dos degraus fundamentais na construção do que viria a ser a literatura moderna.

Ou algo parecido. Tanta gente me aporrinhou com as frases padronizadas dizendo que The Catcher In The Rye é um pioneiro na utilização do inglês, que eu resolvi dar uma chance. Com um exemplar emprestado, é claro.

Estou no final da bomba agora, e, bom, continua sendo uma bomba, em inglês como em português. Caulfield continua sendo uma bosta de um adolescente chato, e este livro continua sendo uma bosta de um diário de adolescente.

Pioneirismo? É difícil negar, porque deve ter sido realmente uma quebra no modo de expressão. Tanto no formato confessional quanto no uso do palavreado coloquial a rodo. O que não significa, porém, que o resultado seja mais do que medianamente palátavel.

A narrativa envolve na medida da curiosidade e de um certo grau, pequeno, de identificação. A curiosidade aqui é um sentimento mórbido, pois Caulfield percebe o universo de uma forma distorcida, não consegue se adaptar a nada, e só faz besteira. Todo maldito momento neste livro. Ele simplesmente não consegue exercitar equilíbrio em mais de um parágrafo seguido, o que chega a ser agoniante em certos momentos. Quanto à identificação, bem, todo adolescente tem muitos pontos em comum, e, particularmente, estes pontos não são interessantes e nem me deixam orgulhoso a ponto de escrever sobre isso. Morrissey, o possível maior especialista em adolescência, canta:

I am so glad to grow older to move away from those younger years

Ao terminar esta leitura, provavelmente serei uma pessoa ainda pior: sentirei o orgulho de ter lido esta naba em inglês, e continuado a achá-la uma bosta. Salinger, you sonovabitch.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para The Catcher In The Rye: Second Round

  1. Anathalia disse:

    Nossa, que bom que eu não sou o único ser humano que ODIOU esse livro! Pra mim, o resumo perfeito do livro está na sua frase “Caulfield continua sendo uma bosta de um adolescente chato, e este livro continua sendo uma bosta de um diário de adolescente”. É a mais pura verdade!

    P.S.: cheguei aqui pela Izabel.

  2. Izabel disse:

    Ainda vou ler e depois vamos ver como ele desce pra mim 🙂

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